Usabilidade em interfaces automotivas

Autor: Brunno Ferraz

O uso do celular ao volante é uma das maiores causas de acidentes de trânsito no Brasil e no mundo. Com as evoluções tecnológicas, sentimos cada vez mais a necessidade de estarmos conectados e, por isso, interfaces automotivas têm sido desenvolvidas para manter o motorista conectado, sem que ele necessite do celular.

O sistema infotainment tem ganhado mais espaço no setor automobilístico, reunindo cada vez mais funções que tornam as nossas viagens ainda melhores; porém, uma preocupação que surge com o crescimento dessa tecnologia é a de construir produtos digitais que entreguem valor ao usuário – que o mantenham, realmente, conectado -, mas que causem o mínimo de distrações possível. Grandes fabricantes têm departamentos inteiros com a única função de avaliar se um componente do veículo, software ou hardware, pode causar alguma distração perigosa ao condutor.

Botões físicos, como os dos rádios antigos, são fáceis de serem encontrados só pelo tato, sem a necessidade de desviar a atenção do volante. Mas, com interfaces digitais, além de haver um número muito maior de opções clicáveis, há ainda a exigência que o motorista olhe rapidamente para o painel, para encontrar o ícone que deseja e, depois, que olhe novamente para confirmar se o resultado foi positivo. Alguns estudos apontam um nível de distração parecido com o do famoso vilão: o envio de mensagens de texto pelo celular enquanto dirigimos.

Como garantir, então, o equilíbrio entre conectividade e segurança?

Em primeiro lugar, é necessário colocar o usuário no centro e pensar na usabilidade da solução desenvolvida: ela precisa ser segura (exigir o mínimo de atenção do motorista) e, ao mesmo tempo, ser intuitiva, rápida e prazerosa de usar. Todo produto digital precisa ser desenvolvido a partir da compreensão das dores e necessidades dos usuários.

Além disso, é necessário abrir as portas para novas tecnologias e novas formas de levar conectividade aos automóveis. Transportar a forma que usamos o celular para a central multimídia do veículo gera distrações e, consequentemente, acidentes. Por outro lado, simplesmente limitar as funções e a conectividade para evitar distrações prejudica a experiência do motorista que logo recorre ao celular.

Aqui na ília, entendemos a importância de tornar possível a integração de novas tecnologias com segurança: por exemplo, através do uso de comandos de voz e de botões no volante mais simples e intuitivos, para que as mãos do motorista permaneçam mais tempo no lugar certo. Outras alternativas como painéis ou heads-up que disponibilizem qualquer informação somente quando são relevantes e no momento seguro, para que o motorista permaneça com os olhos na estrada. Sempre com o seguinte pensamento: se é mais fácil, ou mais rápido, usar o método tradicional do que uma nova alternativa, estamos no caminho errado. 

Até que os veículos se tornem autônomos, vamos precisar nos preocupar com a atenção dos motoristas. Acreditamos que o futuro dos infotainments deve se basear nessa visão holística sobre a experiência do usuário, permitindo uma conectividade como a dos nossos smartphones, sempre buscando o equilíbrio entre aumentar as opções disponíveis aos condutores e entregar experiências tão atrativas quanto as dos dispositivos móveis, sem tirar o foco na estrada. 

Para solucionar esse problema, é necessário adotar novas tecnologias e desenvolver alternativas que permitam ampliar os recursos oferecidos pelo infotainment de forma segura. E você, como acha que será possível encontrar esse equilíbrio?

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