UX Writing e idiomas

Autora: Camila Melim

UX Writing em outros idiomas

Os desafios de escrever para interfaces de outros países

Nos últimos meses, tive a oportunidade de participar de um projeto internacional de inovação. Como sou fã de ideias que vêm para fazer a diferença na vida das pessoas, decidi compartilhar essa baita experiência com vocês.

Ah, por conta do contrato de confidencialidade, vou contextualizar de maneira geral, mas faço questão de destacar os pontos mais importantes, vamos nessa?

Tudo começa com uma ideia

Uma empresa global nos contratou para validar nove ideias inovadoras que os funcionários tiveram. As hipóteses já chegaram com informações pré-definidas, como: país em que faríamos a validação, objetivo do negócio, personas, análise de concorrência e, em alguns casos, rascunhos de uma pequena jornada de usuário.

A partir dessas informações, nosso time de design, conteúdo e tecnologia foram acionados para construir em pouco tempo um produto digital bem próximo do real e, finalmente, testar a aplicação no mercado para entender o interesse dos usuários pela proposta. É a nossa estratégia de aceleração digital, que une etapas como descoberta, concepção, prototipagem e construção de MVPs.

Os idiomas

Já que as ideias seriam validadas no mundo, o primeiro desafio que teríamos era o da língua, afinal, precisava ser escrito em espanhol e também em outros idiomas além do inglês.

O desafio começava nas nuances de palavras entre os países latinos, por exemplo. E era aí que o bicho pegava. Descobrimos que a palavra “troco”, no sentido de dinheiro, tem significados diferentes: no Chile se fala “Vuelto” e no México é “Cambio”.

Nos Estados Unidos, por sua vez, é comum as empresas usarem o termo “Petty Cash” para falar de pequenas quantias de dinheiro destinadas a pagar despesas. É a famosa “caixinha”, que conhecemos por aqui.

Por curiosidade, percebemos que o Brasil também tem palavras peculiares da cultura. Aqui, usamos frequentemente a expressão “Boca do caixa” para explicar que o depósito é feito em dinheiro com o atendente. E é tão comum pra gente, né? Mas imagina o quão estranho deve soar pra quem é de outro país?

Para descobrir os termos mais usados em cada região, fazíamos pesquisas em sites de notícias, fóruns de discussões e também nos sites de produtos similares. A partir disso, construímos uma tabela com variações de vocabulários e expressões de acordo com o país para que todos pudessem se guiar por lá.

A questão cultural

Cada país tem uma realidade diferente, não é mesmo? O Chile, por exemplo, vive momentos de crise social e política e em casos como esse, a população é a primeira a ser afetada.

Aí vem a primeira pergunta: como lançar um produto financeiro em um país com problema econômico? Como explicaríamos o valor daquilo para a população?

É aí que a sensibilidade e a empatia devem caminhar juntas. Para evitar má interpretação, construímos uma lista de palavras e sinônimos mais gerais, sem clichês ou que poderiam fomentar discussões ou comentários negativos.

O mesmo aconteceu quando partimos para a validação de uma ideia na Europa. A proposta, ligada ao segmento imobiliário, foi pensada a partir de uma demanda bem peculiar do país: hoje, o continente possui pessoas viúvas que são donas de apartamentos muito grandes, porém, a renda desse público é baixa.

Para traduzir essa necessidade em uma solução, realizamos uma série de pesquisas em portais de notícias locais. Assim, podíamos acompanhar de perto realidade das pessoas, de acordo com a perspectiva de notícias que elas mesmas consomem.

Aqui na ília, partimos do princípio de que antes de criar um produto digital, é preciso entender as dores dos nossos usuários, ou seja, antes de criar uma plataforma, é nosso dever entender e interpretar as necessidades das pessoas.

O comportamento do usuário

O Google Analytics e o Hotjar são plataformas fantásticas quando o assunto é análise de público e seus hábitos de navegação e consumo da informação.

O Hotjar disponibiliza um mapa de calor rico em detalhes. Dessa forma, conseguimos ter mais clareza na hora de entender a navegação do usuário. A partir disso, tomamos decisões mais certeiras para ajustar e melhorar as validações.

Já o Analytics gera um relatório completo pra gente analisar a fundo informações demográficas, como idade e sexo, tipo de dispositivo, sistema operacional do usuário, idioma, quanto tempo a pessoa permanece navegando e mais um monte de outros insights bem importantes.

O que fazer com tudo isso?

Com a estratégia de aceleração digital, já ajudamos grandes empresas globais a validarem hipóteses em um curto período de tempo e, o melhor: com usuários reais.

Ao todo, contribuímos com a validação de hipóteses em mais 7 países, com costumes e línguas diferentes. A partir dos resultados já validados, construímos produtos digitais com foco em uma proposta de valor para as pessoas.

Hoje, um dos produtos que construímos já está disponível para download nas lojas e existem alguns outros em fase de desenvolvimento. Em uma das propostas de validação, por exemplo, mais de 300 mil pessoas foram impactadas e 3.000 se interessaram pela solução.

Todo esse trabalho fez com que construíssemos de forma ágil uma startup do zero com o cliente, o que trouxe bastante bagagem para mim e para todo time.

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