O que muda no financeiro setor em 2026
O ano de 2026 representa uma virada definitiva para o setor financeiro. Com 82% das transações bancárias já realizadas em canais digitais (Febraban, 2025), a discussão deixa de ser sobre adoção tecnológica e passa a girar em torno de maturidade operacional, eficiência em escala e inteligência aplicada ao negócio.
A digitalização já é um dado. O diferencial competitivo agora está na capacidade de operar com decisões em tempo real, monetizar dados com precisão, reduzir custos indiretos e transformar exigências regulatórias em ativos estratégicos. Em 2026, tecnologia, regulação e estratégia deixam de caminhar em trilhas paralelas e passam a operar de forma integrada.
Orçamento, eficiência e crescimento: o novo equilíbrio
A pressão por eficiência será um dos principais vetores de decisão em 2026. Segundo a pesquisa Previsões Orçamentárias 2026, da Gartner:
- 64% dos CFOs esperam que despesas de SG&A cresçam mais lentamente do que a receita
- 54% planejam manter esse crescimento de 1 a 5 pontos percentuais abaixo da receita
- 51% projetam aumento da margem de contribuição
- 44% antecipam mudanças no mix de produtos em direção a ofertas de maior margem
Esses números indicam um movimento claro: crescer sem inflar a estrutura. O foco passa a ser eficiência operacional, automação inteligente e experiências que aumentem o valor ao longo da jornada do cliente.
Arquiteturas baseadas em IA, automação de processos, cloud híbrida e integração via BaaS tornam-se fundamentais para equilibrar controle de custos, escalabilidade e inovação contínua, sem comprometer segurança ou conformidade.
Prioridades regulatórias do Banco Central para 2026
O Banco Central do Brasil definiu uma agenda regulatória que influencia diretamente as decisões tecnológicas e operacionais do setor financeiro em 2026.
Pix e MED
A partir de 2 de fevereiro de 2026, todos os participantes do Pix deverão adotar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) aprimorado, que permite a contestação simplificada de transações suspeitas de fraude ou erro sem interação humana. A medida reforça a automação, a prevenção a fraudes e a proteção do consumidor.
Open Finance
O Open Finance avança para uma fase de maturidade, com foco em:
- Melhoria da qualidade e performance dos dados
- Expansão para crédito, investimentos, seguros e câmbio
- Redução de assimetrias de informação e barreiras operacionais
Com 62 milhões de consentimentos ativos e 2,3 bilhões de chamadas de API por semana, o Open Finance passa a ser um pilar real de hiperpersonalização e competitividade no mercado financeiro (Febraban).
Banking as a Service (BaaS)
A Resolução Conjunta nº 16 estabelece regras claras para o modelo de BaaS:
- A instituição prestadora é responsável por compliance, serviços e relacionamento com o cliente final
- A tomadora atua apenas como distribuidora
A norma proíbe subcontratações de serviços regulados, exige governança, auditorias e due diligence, e define prazo de adequação até 31/12/2026. O BaaS deixa de ser experimental e passa a operar como infraestrutura regulada e escalável.
Tokenização e ativos virtuais
As Resoluções BCB nº 519, 520 e 521 criam um novo marco regulatório para prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs). As empresas terão até 2 de fevereiro de 2026 para se adequar às exigências de autorização, operações de câmbio e capitais internacionais.
Esse movimento acelera a institucionalização da tokenização e amplia a segurança jurídica para novos modelos de negócio.
Inteligência Artificial
Em 2026, a IA se torna mais especializada, integrada e regulada. Modelos agênticos passam a operar decisões em tempo real, exigindo:
- Infraestrutura em nuvem híbrida
- Governança de dados
- Rastreabilidade e segurança digital reforçada
A IA deixa de ser apenas analítica e passa a ser operacional.
Sustentabilidade e ESG
O setor financeiro incorpora ESG à contabilidade, com normas mais claras para mensuração de ativos e passivos sustentáveis. Além da divulgação transparente de riscos e oportunidades, instituições precisam alinhar-se a padrões globais e locais, transformando sustentabilidade em parte estrutural da gestão financeira.
Tecnologias-chave que definem 2026
Em 2026, algumas tecnologias deixam de ser tendência e passam a compor o núcleo operacional das instituições financeiras.
IA agêntica e arquiteturas multiagentes
Segundo a Gartner, até 90% das funções financeiras devem utilizar ao menos uma solução de IA até 2026. O diferencial estará na colaboração humano-máquina, em ciclos contínuos de aprendizado e decisão.
A IA agêntica já permite:
- Decisões em tempo real com maior precisão
- Automação ponta a ponta de processos críticos
- Gestão de riscos mais responsiva
- Orquestração de fluxos complexos por múltiplos agentes
- Redução da dependência de intervenção humana constante
Segundo um poll da Gartner com líderes executivos, 55% já estavam em pilotos ou produção com GenAI (10% em produção), o que reforça a corrida, mas também o peso do risco e da governança.
Cloud híbrida como fundação
A cloud híbrida vem se consolidando como padrão no setor financeiro por equilibrar dois requisitos que raramente caminham juntos: escalabilidade e soberania de dados. Em um cenário de crescimento de APIs, maior complexidade regulatória e demanda por decisões em tempo real, essa arquitetura oferece flexibilidade sem abrir mão de controle.
A Gartner projeta que 90% das organizações adotarão uma abordagem de cloud híbrida até 2027 e ressalta que, com a evolução da GenAI, desafios como sincronização e integração de dados entre ambientes tendem a ganhar ainda mais relevância (Gartner, press release “Gartner Forecasts Worldwide Public Cloud End-User Spending to Total $723 Billion in 2025”).
Na prática, a cloud híbrida sustenta o que o setor precisa para escalar com consistência: IA avançada, grandes volumes de dados, operações reguladas com alta disponibilidade e uma camada de governança que viabiliza inovação contínua sem comprometer segurança e conformidade
BaaS, Open Finance e Embedded Finance
Esses três modelos operam de forma integrada:
- BaaS fornece a infraestrutura regulada
- Open Finance viabiliza o compartilhamento consentido de dados
- Embedded Finance transforma dados e infraestrutura em experiências fluidas
No embedded finance, serviços financeiros passam a fazer parte do contexto do usuário, reduzindo fricções e aumentando conversão. Segundo a McKinsey, as taxas de conversão podem subir de ~15% para 50% ou mais em cenários analisados (McKinsey — “The new importance of partners in banking”).
Tokenização e RWA sustentável
O projeto RWA Sustentável, do LIFT Learning, cria infraestrutura para emissão e negociação de CPRs e CRAs verdes tokenizados em blockchain pública, conectando investidores estrangeiros a projetos sustentáveis no Brasil.
A iniciativa avança em padronização tecnológica, contratos inteligentes, integração com o Drex e alinhamento regulatório internacional, consolidando a tokenização como instrumento financeiro estratégico.
Cibersegurança Zero Trust e preemptiva
Com maior exposição de APIs, dados e integrações, a segurança passa a ser estrutural. Modelos de Zero Trust e segurança preemptiva utilizam validação contínua, análise comportamental, machine learning e automação para prevenir ameaças antes que causem impacto. Segundo o Gartner, a prevenção ativa está entre as principais tendências tecnológicas estratégicas para 2026 (Gartner — “Top Strategic Technology Trends for 2026”).
Como capturar as oportunidades do setor financeiro em 2026
Para aproveitar esse cenário, instituições financeiras podem adotar três movimentos estratégicos:
- Evoluir modelos operacionais com automação inteligente e decisões em tempo real
- Padronizar dados e integrações para sustentar jornadas hiperpersonalizadas
- Transformar compliance em vantagem competitiva por meio de arquitetura, governança e rastreabilidade
Os líderes que equilibrarem inovação, custo, segurança e experiência do cliente estarão preparados para operar com velocidade e precisão em um mercado cada vez mais conectado.
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Em 2026, inovação será sinônimo de consistência, interoperabilidade e inteligência aplicada. Quem liderar esse movimento conquistará mais confiança do cliente e capacidade real de escalar produtos digitais com segurança e eficiência.
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